terça-feira, 20 de março de 2012

Concepções sobre a Avaliação Escolar: uma analise das ideias de Mary Stela Chueiri


  1. Ponto de Partida:
Quando tratamos do mecanismo da avaliação como um instrumento que pode possibilitar uma interpretação mais ética do processo de aprendizagem construído pelo aluno com a mediação do educador, entendo que estamos trilhando o caminho mais seguro para concretizarmos o sentido real do ato de educar. Tratar a avaliação como um dispositivo mecânico e estático é limitar as numerosas possibilidades que temos de aproximar o educando do conhecimento. Desta forma, a analisarmos a compreensão de Chueiri acerca das concepções de avaliação escolar, trilhamos novamente um caminho correto que pode nos proporcionar uma percepção mais apurada do que devemos entender sobre o ato de avaliar como instrumento de aprendizagem.

Minha compreensão acerca das ideias expostas na construção desta discussão seguirá o mesmo roteiro escolhido pela autora, ou seja, tentaremos refletir, utilizando-se dos mesmos aportes teóricos e metodológicos constituídos no decorrer de suas reflexões. Explicaremos à luz de nossa compreensão como cada aspecto foi explicado no desenrolar deste texto.

  1. Examinar para Avaliar:
Discordar é um ato de coragem, aproximar-se da ciência também é um ato de coragem. Refletir cientificamente estes aspectos requer de cada um, uma percepção sobre aspectos que ao serem copilados transformam-se em um prazeroso quebra-cabeça. A meu ver para que ocorra o estabelecimento d ato de avaliar, é preciso entender três dimensões específicas: a complexidade de avaliar, as formas de dialogo com os instrumentos de avaliação, e a ética no procedimento de aplicarmos e interpretarmos.

Refletindo sobre o a prática de examinar para avaliar, concordo com a ênfase dada ao pensamento de Luckesi, onde o mesmo incita-nos a superarmos esta pedagogia dos exames, que direciona a prática pedagógica ao marasmo da ineficiência no ato de avaliar a real situação construída pele educando no decorrer do processo de ensino e aprendizagem. Como a educação é fruto de seu tempo, a percepção de Luckesi toma um tom marxista ao incluir em seu discurso os percalços estabelecidos pelo sistema capitalista no tocante a seleção daqueles que devem ser inseridos no mercado de trabalho, ou seja, a prática da pedagogia dos exames, é dos sinais visíveis da presença das relações capitalistas no interior da escola.

  1. Medir para Avaliar:
A Compreensão deste segundo ponto, dar-se-á, pelo fato de que, é preciso repensar o valor dos instrumentos de avaliação que buscam unicamente fazer uma reflexão a partir do aspecto da quantificação, ou do ordenamento dos saberes estabelecidos por medidas previas. Trazendo os personagens deste dialogo, para ampliarmos o teor da discussão, passamos a analisar um fragmento posto no interior da redação que enfatiza:

idéia de que a avaliação é uma medida dos desempenhos dos alunos encontra-se fortemente enraizada na mente dos professores e, freqüentemente, na mente dos alunos, e a dificuldade para a superação dessa concepção reside na suposta “confiabilidade” das medidas em educação e nos parâmetros “objetivos” utilizados pelos professores para atribuir notas às tarefas dos alunos.[1]

No fragmento podemos perceber alguns pontos de enfrentamento, ou seja, o conceito de confiabilidade neste método de avaliar é um dos elementos que deve ser bem compreendido. O sentimento de confiança no ato de avaliar as aprendizagens por meio de um sistema de medidas remonta a definição das propostas pedagógicas ofertadas pelas instituições escolares. O que quero explicar é que, o sistema de medir para avaliar, não esta apenas enraizado na prática docente de vários educadores, o mesmo, é eleito por diversas escolas como seu aporte metodológico para a obtenção dos resultados esperados e exigidos.

Em minha compreensão este sistema não é simplesmente um dispositivo que temos a cumprir, transformou-se em uma cultura, onde as necessidades reais são a obtenção de resultados rápidos e expressivos. Um aspecto negativo apontado na reflexão da autora é o fato de que a avaliação segundo esta lógica retira do educador o poder de sua subjetividade no tocante a capacidade que o mesmo pode desenvolver no decorrer do processo de aprendizagem, ou seja, as variáveis, que podem ser utilizadas para aproximar o educando do conhecimento não seria um aporte importante, pois poderia tira-lo do foco central, “a prova”, com explica Chueiri, “prova implica aceitar a confiabilidade da prova como instrumento de medida e desconsiderar que a subjetividade do avaliador pode interferir nos resultados da avaliação.”[2]

  1. Avaliar para classificar ou regular:
Esta dimensão da avaliação a meu ver é mais tradicional entre as formas mais comuns que utilizamos para desenvolver o processo de avaliação das atividades ocorridas durante as aprendizagens construídas. Concordo com Perrenoud, quando explica que é muito comum associar o ato de avaliar com a necessidade de classificar ou comparar as realidades que se apresentam mediante a realização de exercício que levem a esta constatação.

Sobre as duas lógicas apresentadas por Perrenoud, e discutidas por Sordi, contenho-me em dizer que é preciso rever os mecanismo que utilizamos para obter os resultados que desejamos. Sendo, formativa ou somativa, o processo de avaliação deve estar centrado na construção de aprendizagens que possibilitem ao educando, o desenvolvimento de uma autonomia, que o leve a reconhecer os desafios presentes nas diversas realidades. Avaliar para certificar ou classificar, torna-se uma atitude perigosa, quando não utilizamos as ferramentas corretas para concretizar tal ato.

  1. Avaliar para Qualificar:
Chegamos a um ponto muito importante da construção da reflexão que a autora faz acerca da avaliação escolar. Refiro-me a questão do ato de avaliar para qualificar. Para contextualizar melhor este aspecto, reporto-me a um fragmento importante do texto no qual entendo que seja uma síntese do aspecto citado:

Na esteira de uma avaliação de cunho qualitativo, a autora (referencia a Sordi) propõe uma modalidade, por ela denominada de avaliação emancipatória, cujas três vertentes teórico-metodológicas são: a avaliação democrática; crítica institucional e criação coletiva; e a pesquisa participante (p. 53). Observamos, portanto, que essa proposta de avaliação qualitativa surgiu a partir da necessidade de uma revisão e ultrapassagem das premissas epistemológicas até então vigentes.[3]
  
Considero que a reflexão feita pela autora, indicando a possibilidade de uma nova  modalidade que possa proporcionar uma melhor qualificação no ato de avaliar, seja uma vertente que devemos considerar como viável e necessária, pois, se continuarmos encarando a avaliação como um mecanismo reprodutor das dificuldades de aprendizagens de nossos educando não será possível construir competências e habilidade básicas para o enfrentamento das reais situações impostas pela dinâmica social, entre elas as avaliações externas como os vestibulares e o ENEM. A avaliação qualitativa é uma tentativa de superação das fragilidades e urgências que temos no universo do processo de ensino e aprendizagem.



[1] CHUEIRI, Mary Stela Ferreira. Concepções sobre a Avaliação Escolar. IN: Estudos em Avaliação Educacional, v. 19, n. 39, jan./abr. 2008, p.08.
[2] Ibid, p. 08.
[3] Ibid, p. 11.

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